O tema proposto pela Igreja na CF deste ano é: Fraternidade e Saúde Pública. Já que saúde integral tem sido uma das principais preocupações da população brasileira e pauta reivindicatória no campo das políticas públicas. A Igreja entende que a vida saudável requer harmonia entre o corpo e o espírito, entre pessoas e ambiente, entre personalidade e responsabilidade. A doença atinge a todos, expondo a igualdade entre ricos, pobres, negros, indígenas, crianças, jovens e idosos. O Guia para a Pastoral da Saúde traz a seguinte definição à saúde: “saúde é o processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual, e não apenas a ausência da doença, processo que capacita o homem a cumprir a missão que Deus lhe destinou de acordo com a etapa e a condição de vida em que se encontre.” Contudo, a atitude mais lógica diante a tal realidade é a fraternidade e a solidariedade.
Durante as últimas décadas o setor da saúde no Brasil passou por transformações em importantes aspectos que mudará a face da população drasticamente em 50 anos. Com isso, os fatores que precisão de atitudes emergenciais e de grande atenção são: doenças crônicas não transmissíveis; doenças transmissíveis; fatores comportamentais de risco modificáveis; dependência química e uso crescente e disseminado de drogas lícitas e ilícitas (tabaco, álcool, cocaína, crack, oxi e outras); causas externas (acidentes e violências).
O Escritório das UNODC (Nações Unidas contra Drogas e Crimes) mencionou, em um Relatório Mundial sobre Drogas (2008), que cerca de 5% da população mundial (208 milhões de pessoas) já fez uso de drogas ao menos uma vez. Esta pesquisa cita que o Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, com cerca de 872 mil usuários adultos (entre 15 a 64 anos), atrás apenas dos Estados Unidos.
O Brasil é o responsável pela maior quantidade de maconha apreendida na América do Sul, foram 167 toneladas em 2008. O consumo da maconha e do haxixe no Brasil aumentou duas vezes e meia comparado a 2001. Segundo o Ministério da Saúde, o crack poderá tirar a vida de, pelo menos, 25 mil jovens por ano no Brasil.

A estimativa é que mais de 1,2 milhão de pessoas sejam usuárias de crack no país e cerca de 600 mil pessoas façam uso frequente de droga. A média de idade do início do uso é 13 anos. Há indicativos da rápida difusão de uma nova droga, já apreendida em todas as regiões do país. Trata-se do oxi, sendo ela mais barata e de conseqüências mais danosas para os usuários que o crack. Pesquisas iniciais apontam que cerca de um terço (33%) dos usuários de oxi morrem no primeiro ano.
A dependência do álcool é um dos graves problemas de saúde pública brasileiro. Atualmente 20% da população adulta consomem álcool em excesso, em contraposição aos 16,2% em 2006. O uso do álcool, além de causar sérios e irreversíveis danos a vários órgãos do corpo, está também relacionado a cerca de 60% dos acidentes de trânsito e a 70% das mortes violentas, e seu consumo ainda vem crescendo em todos os setores da sociedade, independente de cor, raça, religião, condições financeiras de seus usuários, tanto em grandes centros urbanos como nas mais distantes áreas rurais.
Diante dessa triste realidade decorrente no Brasil, a Comunidade Refúgio tem o desejo de mudar esse quadro e agradece a você, benfeitor, por suas doações e orações, que muito contribuem com o andamento dessa obra que visa a saúde integral do ser humano, o resgate da sua dignidade e sua reinserção ao meio social.
Gesto Concreto
Jesus veio para todos, não apenas para curar os enfermos, mas pelo resgate do ser humano e por sua dignidade apresentando então, uma nova forma de se relacionar com as pessoas necessitadas.
A figura do Bom Samaritano, relato de Jesus em uma parábola no Novo Testamento, assume a condição de modelo de cristão atuante ensinando a vivenciar seus deveres de cidadão e cristão:
1º. Ver - O Samaritano enxergou a realidade do homem caído, que teve seus direitos violados;
2º. Compadecer - A compaixão desencadeou as atitudes conseguintes tomadas pelo Samaritano;
3º. Aproximar - Reconhecer o próximo apesar das diferenças entre ambos;
4º. Curar - Lançar mão dos elementos disponíveis para salvar o outro;
5º. Colocar no próprio animal - Colocar a serviço do outro seus próprios bens;
6º. Levar à hospedaria - O Samaritano mobilizou e envolveu outras pessoas e estruturas para salvar o homem;
7º. Cuidar - Este passo é o conjunto da intervenção feita por ele, cuidar passa a ser uma missão.
“O espírito do samaritano deve impulsionar o trabalho da igreja. Como mãe amorosa, ela deve aproximar-se dos doentes, dos fracos, dos feridos, de todos os que se encontram jogados no caminho a fim de acolhê-los, cuidar deles, infundir-lhes força e esperança. Quando nos aproximamos dos enfermos, aproximamo-nos de todo ser humano e de suas relações, porque a enfermidade o afeta integralmente”. (Guia da Pastoral da Saúde – GPS, n.56 )


















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